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2 de Julho de 2009
Tomada de posse dos novos Orgãos sociais da Associação de antigos alunos da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa

Palavras do Presidente cessante

Ilustres Convidados,

Caros Colegas,

Minhas Senhoras e meus Senhores

Por me encontrar no estrangeiro em missão oficial, não me é possível estar presente neste acto tão importante da vida da nossa Associação e da Faculdade - a passagem de testemunho aos novos corpos gerentes recentemente eleitos, nesta Sala dos Actos Grandes. Depois de tantos anos de uma presença quase permanente, tenho realmente muita pena de não estar agora convosco. Peço por isso ao Sr. Presidente da Assembleia Geral que vos transmita estas minhas palavras.

Não quero deixar de saudar todos os presentes e exprimir o meu entusiasmo e sentimento de grande carinho pela AAA e pela Faculdade.

Há cerca de seis anos que me cabe a missão de efectivamente liderar um grupo de amigos que em mim confiaram, unidos na diversidade, afastados pelas nossas ocupações profissionais, mas juntos na vontade de fortalecer e dinamizar uma organização que pensamos ser um traço de união entre todos os que passaram por esta casa e aqui se formaram, não só como médicos e profissionais, mas também como pessoas e cidadãos no período tão conturbado que corresponde ao fim da adolescência e ao inicio da vida adulta. A AAA mantém esta memória e este vínculo cultural e afectivo entre todos nós e com a Faculdade ao longo de toda a nossa vida.

A minha ausência física não significa nenhum alheamento da vida associativa, apesar do cansaço natural das lutas tantas vezes vãs e sempre inglórias que temos em conjunto desenvolvido, sem apoios praticamente nenhuns, situação aliás a que estamos já habituados. Estou sempre com a AAA no meu pensamento, por mais longe que me encontre. Mas é bom que as instituições se renovem, e nestes corpos gerentes estão muitos jovens recém-licenciados ou jovens internos, que garantem a continuidade, a sustentabilidade e a representatividade da Associação.

Ao deixar a Direcção não posso deixar de referir uma opinião sobre um tema que considero importante, porque se torna necessário actuar sobre ele e corrigi-lo:

A Universidade em Portugal não compreendeu a importância dos Alumni e das suas organizações. Os processos democráticos, apesar de formalmente cumpridos, estão arredados da vida quotidiana e a participação cívica é quase inexistente. Na Universidade, como na vida politica, a abstenção e o desinteresse é a regra. Ainda recentemente a reforma universitária se esqueceu por completo de que os antigos alunos são parte integrante da vida académica, e que muitos deles ocupam cargos de destaque na vida pública e até na própria Universidade. Os primeiros documentos sublinhavam o interesse da participação cívica e realçavam expressamente a possível participação dos Alumni, mas rapidamente foram esquecidos ou abandonados, e a nossa Associação, a mais antiga em actividade e com doze anos de idade, continua sem nenhum apoio ou mesmo reconhecimento formal excepto a tímida simpatia e a amável condescendência com que é vista pelas autoridades académicas.

Acredito firmemente que é dever da Universidade apoiar as Associações de Antigos Alunos de forma pró-activa, tal como desde há uns anos se faz com as Associações de Estudantes, outrora também menosprezadas, desprezadas e combatidas. Hoje as Associações de Estudantes fazem oficialmente parte integrante dos órgãos de governo da Universidade e das Faculdades, são subsidiadas, e o seu papel e representatividade é reconhecido. Tal não acontece com as Associações de Antigos Alunos, mas esse é certamente o único futuro que garantirá o fortalecimento do prestígio e influência das Escolas.

Neste dia em que oficialmente deixarei de conduzir os trabalhos da AAA não poderia deixar de exprimir a minha opinião sobre a atitude que desejaria que a Universidade tivesse para com os seus membros pós graduados. E faço-o com o desprendimento, tranquilidade e isenção que a minha saída da Direcção garantem.

Mas não terminarei estas funções com palavras de crítica ou de desilusão. Acabo, afirmando que não desistiremos. Podemos ser poucos, mas somos entusiastas e persistentes e a persistência no caminho correcto traz recompensa.

Podemos atravessar um deserto difícil, como o vimos fazendo há doze anos, mas chegaremos ao outro lado, e não ficaremos pelo caminho. Temos muitos projectos, sem dúvida interessantes, que não pudemos realizar, mas agora renovados, fortalecidos com vontades fortes e mentes esclarecidas, certamente que com mais capacidades e novas perspectivas, conseguiremos ir ainda mais longe.

Estas direcções construíram um site, uma base de dados, captaram novos sócios, editaram de novo ao fim de dez anos de interregno o Livro de curso todos os anos, também com edição electrónica, reuniram quase todos os meses, realizaram conferências, debates, sessões solenes, participaram em todas as actividades académicas para que foram convidados (e até em algumas em que se esqueceram de nós) apoiaram encontros e jantares de curso, editaram um boletim informativo no NovaMedicina, regularizaram o expediente e a tesouraria, conseguiram um espaço próprio, pequeno mas com dignidade, enfim, pequenas coisas, mas de grande importância e que foram feitas com esforço mas também com muito gosto.

Deixamos a AAA mais organizada, mais unida, com um trabalho que apesar de longe de ser o que desejámos, não pode deixar de orgulhar os que pertenceram a estas Direcções e às que nos antecederam, com a certeza de que o progresso se vai construindo sobre os alicerces que outros colocaram e que à nova Direcção os mesmos desafios se colocam, mas com a certeza de que conseguirão ir mais longe do que nós conseguimos, pela sua maior capacidade, pela sua força renovada, e pelo apoio que terão de todos os que estão na AAA.

Finalmente o meu agradecimento sentido aos que neste período efectivamente trabalharam para a AAA, sem esquecer a aluna finalista mas já Dr.ª Sofia Assunção, pelo apoio que deu à Associação que hoje é também a sua e à Sr.ª D.ª Luísa Botelho, desde sempre matriarca e protectora da AAA.

A todos os votos de grandes sucessos para a AAA e para a Faculdade, o que é equivalente a desejar sucesso para os seus actuais e antigos alunos, professores e funcionários.

Com cordiais cumprimentos,

V. M. da Silveira Machado Borges
(Presidente da Direcção da AAAFCML)

 


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